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Valentino transforma a Antibiblioteca em conceito para SS27

há 1 hora
2 min de leitura

Inspirada nas reflexões de Umberto Eco e Nassim Nicholas Taleb, a maison propõe olhar para aquilo que ainda não conhecemos como território de imaginação, possibilidade e descoberta.


Modelo desfila de óculos escuros e blazer verde em uma passarela de biblioteca, com público filmando ao fundo.

Quantas possibilidades existem naquilo que ainda não conhecemos?


Em uma cultura atravessada pela velocidade, pelo excesso de informação e pela necessidade de consumir o que está imediatamente disponível, a Valentino escolhe partir justamente do que permanece por descobrir. Para seu desfile SS27, a maison apresenta a Antibiblioteca, conceito inspirado nas reflexões de Umberto Eco e Nassim Nicholas Taleb sobre o valor dos livros que ainda não foram lidos.


A ideia desloca a atenção do conhecimento já adquirido para aquilo que ainda pode ser encontrado. Uma biblioteca, nessa perspectiva, não representa apenas o que sabemos, mas também a dimensão do que desconhecemos: livros ainda fechados, histórias ainda não acessadas e caminhos que permanecem possíveis.


Ao transportar esse pensamento para a moda, a Valentino transforma o desfile em uma espécie de antibiblioteca visual. As peças ultrapassam sua função prática e passam a representar diferentes formas, sensibilidades e possibilidades de existência. Assim como os livros não lidos guardam mundos que ainda não conhecemos, as roupas aparecem como territórios para vidas que ainda podem ser imaginadas.


  • Valentino transforma a Antibiblioteca em conceito para SS27
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É justamente nesse deslocamento que o conceito ganha uma dimensão sensorial e comportamental. Vestir não se limita à funcionalidade ou à aparência. A roupa também participa da construção de presença, identidade e percepção, permitindo experimentar outras maneiras de ocupar o mundo.


A Antibiblioteca propõe, portanto, uma relação menos definitiva com a moda. Em vez de apresentar apenas respostas prontas, abre espaço para aquilo que ainda não foi vivido. O desconhecido deixa de ser entendido como ausência e passa a funcionar como potência criativa.


O conceito também ultrapassa a passarela. Como parte da iniciativa, os convidados são estimulados a levar um livro, novo ou pertencente às próprias bibliotecas. As obras arrecadadas serão destinadas a bibliotecas públicas selecionadas em Paris e em outras cidades por meio das organizações Bibliothèques Sans Frontières e Fauvettes City Club.

O gesto estabelece uma conexão concreta entre a reflexão que inspira o desfile e a circulação do conhecimento. Se a Antibiblioteca fala sobre tudo aquilo que ainda pode ser descoberto, compartilhar livros amplia justamente a possibilidade de que novos leitores encontrem histórias, ideias e perspectivas ainda desconhecidas.


Em SS27, a Valentino usa a moda como linguagem para falar não apenas sobre aquilo que somos, mas sobre aquilo que ainda podemos vir a ser. Em um setor frequentemente orientado pela antecipação do próximo desejo, a proposta chama atenção por colocar outra pergunta em cena: quanto valor existe naquilo que ainda não conhecemos?


Para a indústria criativa, a reflexão amplia o papel de um desfile para além da apresentação de uma coleção. Para o leitor, deixa uma provocação que atravessa moda, cultura e comportamento: talvez imaginar o futuro também dependa de preservar espaços para o desconhecido.





Por,

Gisele Barros

Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ

Especialista no Mercado de Fragrâncias

Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria


Gisele Barros - Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ




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