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Tendências de cabelo para 2027 apostam em naturalidade e luz

há 3 horas
5 min de leitura

Quatro dos principais hairstylists do Brasil identificam uma mudança de comportamento nos salões, com menos marcações, mais personalização e cabelos que valorizam a beleza individual.


Close-up de mulher loira com olhar intenso, fundo escuro e blusa rendada magenta.
Divulgação Best Class

Durante anos, as tendências de cabelo chegaram aos salões acompanhadas de referências bastante definidas: uma cor, um corte ou uma técnica que rapidamente se transformava em desejo coletivo. Para 2027, a direção apontada por quatro dos principais hairstylists brasileiros sugere outra lógica. A beleza dos fios tende a ser menos marcada, mais personalizada e cada vez mais associada à aparência saudável e à naturalidade.


A previsão foi apresentada na terceira edição do Best Class, realizado nesta segunda feira, 7, em São Paulo. Idealizado por Mario Henrique, o evento reuniu cerca de 2 mil cabeleireiros e convidados e se consolidou como um espaço de formação para profissionais da beleza.


O que aproxima as visões de Mario Henrique, Romeu Felipe, Vivi Siqueira e Mel Schlukebier é justamente a percepção de que o cabelo do futuro próximo não precisa revelar imediatamente o trabalho realizado no salão. Colorações tom sobre tom, contrastes suaves, raízes que podem crescer sem comprometer o resultado e iluminações construídas de acordo com características individuais aparecem como sinais dessa transformação.


Mais do que escolher uma tendência pronta, a consumidora passa a buscar aquilo que conversa com sua própria aparência. Pele, olhos, sobrancelhas e personalidade entram na construção da cor, deslocando o foco da reprodução de uma referência para uma estética mais individual.


A beleza que não precisa ser igual para todo mundo


Vivi Siqueira coloca a personalização no centro dessa nova estética. Para a hairstylist e embaixadora de L’Oréal Professionnel, não haverá uma única cor capaz de definir 2027. Tons quentes e frios terão espaço, desde que façam sentido para as características e a personalidade de quem os usa.


Retrato de mulher negra com cabelo afro, brincos prateados e vestido lilás estampado, em fundo escuro, expressão séria.
Divulgação Best Class

“O cabelo de 2027, para mim, é natural, porém muito luminoso e fluido. Acredito que os dois tons, tanto quente quanto frio, vão estar muito em alta, dependendo da personalidade de cada mulher. Não acredito em uma tendência que seja algo único para todo mundo. Acredito em uma tendência adaptada para cada mulher, porque é personalizada, é uma beleza única”, afirma.


A fala revela uma mudança importante na maneira de interpretar tendências de beleza. Em vez de uma cartela única determinando o que será desejável, a tendência passa a funcionar como um repertório de possibilidades. O resultado é menos padronizado e mais dependente da identidade de cada pessoa.


Essa mesma percepção aparece no discurso de Romeu Felipe, um dos nomes reconhecidos pela atuação em transformação de cor e embaixador de Wella. Para ele, a relação das clientes com as referências também mudou.


“O cabelo para o ano que vem vai ser um cabelo com bastante naturalidade, muito saudável. Hoje, a cliente busca uma assinatura. Essa coisa de harmonizar o tom de pele, de sobrancelha e dos olhos é algo que ela busca muito porque favorece a beleza natural”, explica.


A mudança também pode ser percebida na maneira como as referências chegam ao salão. Se antes uma fotografia servia como modelo a ser reproduzido, agora ela parece funcionar mais como ponto de partida para uma construção individual.


“Passamos por uma fase de cabelos muito descoloridos, muito processados, e hoje a busca é por um cabelo que tenha mais harmonia, uma iluminação mais suave, tom sobre tom. É aquele cabelo que levou oito horas para fazer, mas fica super natural. São camadas de cor, um cabelo que realmente tem uma assinatura única. Antes era aquela foto de referência e hoje elas buscam: ‘O que fica bom para mim?’”, completa.


Menos marcação, mais fluidez


A busca por uma aparência menos construída também aparece na previsão de Mel Schlukebier, hairstylist e embaixadora de TRUSS Professional. A profissional identifica uma valorização de cabelos nos quais a passagem entre os tons acontece de maneira mais contínua, sem contrastes excessivamente evidentes.


“A tendência são cabelos monocromáticos, sem aquelas mechas marcadas, com muita fluidez e muita naturalidade. Um cabelo monocromático, tom sobre tom e com um contraste suave”.


É uma estética que exige técnica, mas procura esconder justamente os sinais mais evidentes dessa elaboração. A sofisticação passa a estar menos na intensidade da transformação e mais na qualidade da construção da cor, na harmonia entre os tons e na luminosidade percebida nos fios.


Essa busca por naturalidade não significa, portanto, abandonar o trabalho profissional. Ao contrário. O cabelo que parece simples pode envolver uma construção complexa de nuances e camadas para alcançar um resultado personalizado.


O cabelo como expressão de liberdade


Para Mario Henrique, hairstylist que já foi responsável por transformações de celebridades como Anitta e Marina Ruy Barbosa, essa mudança ultrapassa a estética. O chamado old money hair representa também uma alteração na relação com a manutenção da beleza.


“O cabelo old money é um comportamento que traz liberdade. A liberdade de deixar aquela raiz crescida sem nenhum problema, de não se escravizar por um retoque e não depender do salão de beleza para se sentir bonita”, explica.


A ideia é particularmente significativa dentro de uma cultura de beleza historicamente marcada pela manutenção constante. Ao aceitar o crescimento da raiz e reduzir a necessidade de retoques frequentes, o cabelo passa a incorporar uma noção de cuidado menos dependente da aparência recém produzida.


É nesse ponto que o old money hair deixa de ser apenas uma referência estética e passa a representar um comportamento. O cabelo bem cuidado não precisa necessariamente parecer recém saído do salão. A aparência desejada se aproxima de uma naturalidade construída, mas também de uma relação mais livre com o tempo e com a própria imagem.


Do dourado ao frio


A transformação também aparece na cartela de cores observada por Mario Henrique. Depois de temporadas em que reflexos dourados e tonalidades mais quentes ganharam força, o profissional identifica uma procura crescente por nuances frias.


Retrato em close-up de mulher loira com maquiagem suave e brincos, vestindo preto, em fundo escuro e clima elegante.
Divulgação Best Class

“Agora, a cor do momento que as brasileiras estão procurando é o calor dando lugar para o frio. Saímos desse cabelo muito dourado, com reflexo muito quente, e partimos para cabelos mais frios, mais bege, pastel e nude. Esse é o cabelo que vem roubando a cena para 2026 e 2027”, afirma.


A mudança não contradiz a tendência de personalização apontada pelos quatro profissionais. Ao contrário, mostra como as tendências podem coexistir dentro de uma mesma lógica: existe uma direção estética mais ampla, mas sua aplicação depende da pessoa, de suas características e do resultado que deseja construir.


O que 2027 revela sobre a beleza


As previsões apresentadas no Best Class apontam para uma beleza capilar menos interessada em transformar a pessoa em outra versão de si mesma. A valorização da individualidade, da aparência saudável, da luminosidade e de resultados menos marcados aproxima o cabelo de um movimento mais amplo de personalização da beleza.


Para a indústria e para os profissionais dos salões, isso significa olhar para a tendência não apenas como uma nova cor ou técnica, mas como uma mudança na expectativa do consumidor. A pergunta deixa de ser somente “qual é o cabelo da vez?” e passa a ser “como essa tendência pode funcionar para mim?”.


É justamente aí que o lançamento de uma nova temporada de tendências se torna relevante para além do universo dos cabelos. O movimento apresentado para 2027 reforça uma transformação no próprio conceito de beleza: menos padronização, mais identidade, menos evidência de intervenção e mais atenção à experiência individual de se reconhecer no espelho.




Por,

Gisele Barros

Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ

Especialista no Mercado de Fragrâncias

Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria


Gisele Barros - Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ





 

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