SKINCARE PERFORMÁTICO: CONSULTA DERMATOLÓGICA EVITA PRODUTOS DESNECESSÁRIOS COM PROMESSAS VAZIAS
- Gisele Barros

- há 18 horas
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Cinta modeladora, faixa de compressão e gua sha não têm efeito rejuvenescedor. Tendências como Morning Shed, que propõe dormir com o rosto coberto por máscaras, cremes, adesivos, fitas após rituais com rolles e gua sha não apresentam bases científicas e expõem armadilhas do consumismo.

Tudo começou com as rotinas exaustivas de skincare. Agora, o atual cuidado performático da pele inclui cada vez mais etapas, gadgets e produtos que estão longe de oferecer benefícios reais e duradouros à pele. Cinta modeladora facial, adesivos, faixas, rollers, gua sha, tudo faz parte da performance – e do consumismo desenfreado que cria a ilusão de que produtos como esses são necessários. “Existem muitas promessas desses produtos de definir e afinar o contorno do rosto, melhorar a produção de colágeno e a flacidez da pele. O marketing ainda cria armadilhas com apelos ilusórios, como reposicionar os músculos e pele, elevando-os, durante o sono. No entanto, isso carece de evidência científica robusta”, explica o Dr. Daniel Cassiano, dermatologista e diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP). “A Dermatologia não confirma nenhuma dessas hipóteses. Uma faixa de compressão usada por algumas horas não é capaz de gerar mudanças estruturais permanentes”, acrescenta a Dra. Natalia Cymrot, dermatologista e membro da SBD-RESP. O médico reforça a importância da consulta dermatológica, que vai direcionar o skincare para as necessidades do paciente – o que pode evitar gastos desnecessários.
De acordo com a Dra. Natalia, quando um produto é associado à imagem de uma celebridade, cria-se a impressão de que seu uso levará aos mesmos resultados — o que é muitas vezes ilusório, reforçando padrões estéticos muitas vezes inalcançáveis. “Muitas vezes as pessoas acabam deixando de investir em cuidados realmente eficazes”, diz. E há uma grande armadilha na medida em que o uso desses dispositivos pode gerar uma falsa sensação de cuidado. “O paciente sente que está se cuidando, mas pode atrasar ações essenciais que trariam resultados palpáveis, como fotoproteção, uso de antioxidantes, hidratação adequada e procedimentos dermatológicos que revertem as mudanças estruturais trazidas pelo processo de envelhecimento”, completa a Dra. Natalia Cymrot.
Um dos exemplos clássicos é a tendência Morning Shed, popularizada por marcas como a de Kim Kardashian, que propõe dormir com o rosto coberto por máscaras, cremes, adesivos e fitas com a promessa de acordar com a pele visivelmente melhor. “Cientificamente, a ideia tem algum fundamento: durante o sono, a renovação celular se intensifica, e o uso de produtos oclusivos pode potencializar a hidratação e a absorção de ativos. Fitas faciais também podem auxiliar na prevenção de rugas do sono ao limitar as dobras e as movimentações da pele. No entanto, o uso excessivo ou inadequado desses recursos pode comprometer a barreira cutânea, levando à obstrução dos poros, acne, dermatite de contato, irritações e até foliculite”, comenta a dermatologista Dra. Leiliane Bregalda Alves, membro da SBD-RESP. No caso da cinta, pode até oferecer benefícios temporários. “A compressão pode reduzir o inchaço, dando impressão de rosto mais fino, o que em algumas horas volta ao estado original. É interessante seu uso após uma cirurgia que envolva a face e/ ou o pescoço, para diminuir o inchaço e auxiliar na cicatrização. Somente nesses casos existe realmente um efeito benéfico”, esclarece a Dra. Natalia. “Mas não há evidência científica robusta de que o uso de cintas faciais previna, de fato, a formação de papada. A flacidez da região submentoniana e a formação de papada têm múltiplas causas: envelhecimento da pele, perda de colágeno, acúmulo de gordura, genética, má postura e flacidez muscular. Embora a compressão possa amenizar o edema e reposicionar levemente os tecidos, ela não impede a degradação do colágeno nem a flacidez estrutural progressiva”, comenta a Dra. Leiliane.
No caso de gua shas e face rollers, apesar de terem impacto benéfico no viço e na aparência da pele porque aumentam fisicamente a circulação cutânea e o aporte sanguíneo que a pele recebe, não há efeitos rejuvenescedores como diminuição das rugas e linhas de expressão, segundo o Dr. Daniel. “Eles possuem efeito drenante e temporário. As massagens manuais têm a vantagem de serem adaptadas ao formato do rosto e à força necessária, reduzindo riscos de compressão inadequada”, diz o Dr. Daniel. “Não é possível a comparação com procedimentos dermatológicos, porque estes realmente promovem benefícios na estrutura da face, seja na produção de colágeno novo e melhora da flacidez da pele, reposicionamento de coxins de gordura, alterações na musculatura. Esses efeitos são cientificamente comprovados e duradouros”, explica a Dra. Natalia Cymrot.
Por fim, o diretor da SBD-RESP ressalta que o mais importante é a consulta dermatológica, que definirá os tratamentos indicados para cada paciente e as condutas preventivas. “Sem cair em modismos, o ideal é manter rotina de sono, alimentação e hidratação adequadas. Os cosméticos da rotina skincare também devem ser indicados por um dermatologista. Além disso, é fundamental manter o controle de peso e composição corporal, já que acúmulo de gordura na região submentoniana altera o contorno. Quanto aos tratamentos, eles devem ser sempre orientados por dermatologistas e adequados a cada paciente”, finaliza o Dr. Daniel Cassiano.
FONTE:
*SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA – REGIONAL SÃO PAULO (SBD-RESP): Fundada em 1970, a SBD-RESP é uma entidade médica criada para fomentar a pesquisa, o ensino e o aprimoramento científico da Dermatologia como especialidade médica. A SBD-RESP reúne todos os dermatologistas filiados e os serviços credenciados do Estado de São Paulo, que são constituídos por hospitais com cursos de especialização em Dermatologia (residência médica e/ou estágio) certificados pela SBD Nacional. Atualmente, a SBD-RESP reúne cerca de 4.000 associados e organiza uma série de eventos de ensino e de reciclagem. Entre eles: RESP em foco, Jornadas, COPID (Congresso Paulista de Interligas de Dermatologia), e a RADESP (Reunião Anual dos Dermatologistas do Estado de São Paulo). Instagram: @sbd_resp
Por,
Gisele Barros
Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ
Especialista no Mercado de Fragrâncias
Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria












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