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Ralph Lauren Spring 2027: a nova elegância entre o rústico e o refinado

há 3 dias
4 min de leitura

Coleção apresentada pela maison para a primavera de 2027 revisita códigos históricos com proporções, matérias e acabamentos que aproximam sensualidade, artesanato e personalidade.


Modelos desfilam em passarela, com look floral bege e rosa, em salão elegante, sob olhares e celulares da plateia.

A elegância contemporânea parece cada vez menos interessada em seguir uma fórmula única. Na coleção Spring 2027, Ralph Lauren parte justamente dessa liberdade para revisitar códigos que fazem parte de sua própria história e colocá-los em tensão com novas proporções, tratamentos artesanais e uma sensualidade mais descontraída.


“Spring 2027 é uma interpretação irreverente do romance que cria uma nova elegância. Trata-se de formas de vestir que celebram a engenhosidade, a originalidade e a personalidade — a liberdade e a diversão de criar um estilo que seja verdadeiramente pessoal.”


A proposta subverte noções tradicionais de sofisticação ao aproximar referências históricas de uma leitura idiossincrática. O resultado é uma coleção original e otimista, em que o contraste entre o rústico e o refinado, diálogo recorrente na trajetória da maison, ganha novas possibilidades.


A paleta fundamentada em marinho e branco reforça a sensação de frescor e deixa a silhueta ocupar o centro da narrativa. As calças aparecem como protagonistas, principalmente em proporções volumosas e diferentes níveis de destaque. Entre as formas exploradas está uma cintura levemente baixa, com botões laterais que se estendem da metade da panturrilha até a barra.


Essas peças são combinadas, em alguns momentos, a jaquetas ajustadas ou coletes de frente encurtada e longas caudas fluidas. Em um dos looks mais marcantes, o simples seersucker é transformado em um traje dramático, mostrando como um tecido associado à informalidade pode adquirir outra presença por meio da construção da peça.


Modelo desfila em passarela de moda, com casaco azul-marinho, blusa branca e saia dourada; público aplaude e grava com celulares.

Em outra direção, uma camisa de algodão estruturada com barbatanas e amarrações, usada sobre calças brancas, propõe uma leitura mais minimalista e modernista das tradicionais peças corsetadas. A sensualidade, nesse caso, aparece menos como ornamentação e mais como consequência da arquitetura da roupa.


O contraste entre referências também atravessa o denim e o workwear. A jaqueta utilitária de denim ganha uma interpretação flamboyant ao receber uma profusão de penas brancas, enquanto os jeans desgastados são sofisticados em uma referência subversiva ao vestuário elegante.


Entre os destaques estão ainda uma jaqueta curta azul com gola de shearling e um colete de brocado usado com camisa de mangas longas e gravata larga. A composição recupera uma referência à peça que marcou o início da carreira de Ralph Lauren há quase sessenta anos, aproximando memória e reinvenção.


Alfaiataria entre precisão e suavidade


A alfaiataria explora outra camada de dualidade. Grande parte das peças foi desenvolvida com técnicas tradicionais de construção feminina, criando silhuetas precisas, mas suaves. É o caso da jaqueta de couro branca, elaboradamente smockada nas costas.


A coleção também recupera um momento importante da história da marca ao homenagear o primeiro terno que Ralph Lauren desenhou para mulheres. Dois conjuntos de alfaiataria de calça, com linhas marcantes e precisas, foram confeccionados em uma unidade italiana especializada em moda masculina, onde a construção privilegia uma estrutura altamente definida.


A escolha reforça uma característica central da coleção: a possibilidade de transitar entre códigos considerados masculinos e femininos sem abandonar a identidade da roupa. A precisão da construção convive com fluidez, sensualidade e movimento.


Na noite, essa liberdade se amplia. Entre as propostas estão um vestido envelope fluido construído com apenas uma costura; um vestido longo de alças em marinho cintilante, coberto por micro paetês que se transformam em franjas sobre a calça; e um robe de veludo bordado usado sobre uma etérea blusa branca e jeans com estampa floral pintada com gesso.


Quando o acabamento passa a ser parte da experiência


É nos tratamentos artesanais que a coleção ganha uma dimensão particularmente tátil. Diferentes processos transformam superfície, brilho, textura e percepção das peças, fazendo do acabamento uma parte essencial da narrativa visual.


Modelo em vestido rosa iridescente desfila entre plateia aplaudindo em passarela branca de desfile.

Uma elaborada construção trançada confere leveza a um colete de shearling volumoso em degradê. A técnica de lavagem “spritz and tumble” cria um efeito enrugado em vestidos de saias amplas, enquanto técnicas de pintura à mão e burnout produzem diferentes intensidades de cor.


Nos lamês de seda e veludos, esses processos criam uma pátina envelhecida. Em uma das saias, o bordado foi realizado com fios pintados com gesso. Em outra peça, os paetês oversized receberam um revestimento que reduz seu brilho.


O brocado de seda também passa por um elaborado processo de pintura com spray, criando uma atmosfera impressionista e misteriosa. São escolhas que deslocam a roupa do campo puramente visual e evidenciam o valor da matéria, do fazer artesanal e das superfícies que convidam à percepção.


A elegância também muda de ritmo


Os acessórios acompanham essa proposta de elegância descontraída. Os sapatos aparecem, em sua maioria, com saltos baixos e detalhes especiais, como cabedais de brocado ou acabamentos em fita.


Novas versões da icônica Ralph Bag percorrem a passarela, enquanto a nova Madison Bag combina funcionalidade e estilo em um design amplo e bem estruturado.


Mais do que apresentar uma coleção para a primavera de 2027, Ralph Lauren utiliza seus próprios códigos como matéria-prima para discutir o que significa elegância em um momento em que personalidade, liberdade de criação e contraste ganham espaço.


A relevância da proposta está justamente nessa tensão: referências tradicionais não desaparecem, mas são desmontadas, ampliadas e reconstruídas por meio de proporções, técnicas e texturas. Na Spring 2027, o luxo não está apenas naquilo que a roupa representa, mas também na maneira como ela é construída, transformada e percebida.




Por,

Gisele Barros

Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ

Especialista no Mercado de Fragrâncias

Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria


Gisele Barros - Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ





 

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