PROGRAMA ABUSO NÃO É AMOR, DE YSL BEAUTY, PROMOVE TALK PARA ALERTAR SOBRE SINAIS DE RELACIONAMENTOS ABUSIVOS NA SEDE DO GRUPO L’ORÉAL NO BRASIL
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Evento reuniu especialistas e convidadas para discutir a importância da informação na prevenção da violência praticada pelo parceiro íntimo.

Como parte das ações do programa global Abuso Não é Amor, e em prol do Mês Internacional da Mulher, a YSL Beauty realizou, no dia 27 de março, um talk na sede do Grupo L’Oréal no Brasil para promover a conscientização sobre os sinais iniciais de um relacionamento abusivo e o papel da educação na prevenção da violência praticada pelo parceiro íntimo.
O encontro reuniu convidadas que atuam diretamente na pauta de proteção às mulheres e equidade de gênero para uma conversa sobre como reconhecer comportamentos abusivos nas fases iniciais das relações, como a informação pode contribuir para interromper ciclos de violência antes que eles se agravem e compartilhar suas vivências pessoa
Participaram do talk Joyce Trindade, Secretária Municipal de Mulheres e Cuidados do Rio de Janeiro; Mariana Goldfarb, modelo, influenciadora e apresentadora; Patrícia Ramos, influenciadora e apresentadora; e Bia Diniz, CEO e fundadora da ONG Cruzando Histórias, organização parceira do programa no Brasil.
Criado em 2020, o programa global Abuso Não é Amor, da YSL Beauty, atua na prevenção da violência por parceiro íntimo por meio da educação e da conscientização sobre sinais de alerta em relacionamentos abusivos. Presente em diversos países, o programa é desenvolvido em parceria com organizações da sociedade civil responsáveis por conduzir ações de treinamento e informação em nível local. No Brasil, a iniciativa foi lançada em junho de 2023 e é realizada em parceria com a ONG Cruzando Histórias, que conduz o treinamento gratuito oferecido pelo programa.
Durante o encontro, as participantes discutiram como a violência em relacionamentos muitas vezes começa de forma sutil, com comportamentos que podem ser interpretados como demonstrações de cuidado, mas que ao longo do tempo evoluem para controle, manipulação e isolamento. A conversa também destacou que reconhecer esses sinais nem sempre é imediato, o que reforça a importância da informação, da conscientização e do apoio para interromper ciclos de violência.
Segundo Bia Diniz, CEO e fundadora da Cruzando Histórias, a violência nos relacionamentos costuma acontecer de forma gradual, por meio de comportamentos que muitas vezes ainda são confundidos com cuidado ou demonstrações de amor. “A gente precisa entender que a violência não começa com agressão física. Ela começa em sinais que parecem pequenos, como controle, ciúme excessivo, manipulação e tentativas de isolamento. Durante muito tempo, aprendemos a associar ciúme com amor, controle com cuidado, e isso faz com que muitas pessoas demorem para perceber que estão em uma relação potencialmente abusiva. Compartilhar localização, querer saber o tempo todo onde a pessoa está, pedir acesso ao celular ou às redes sociais pode parecer normal, mas também pode ser sinal de controle. Esses comportamentos vão aumentando aos poucos, até que a agressão física acontece, mas, na verdade, a relação já vinha sendo violenta há muito tempo. Porque o abuso pode ser psicológico, emocional, verbal ou patrimonial. Por isso é tão importante falar sobre os sinais de alerta, porque reconhecer esses sinais no começo pode impedir que a violência se agrave.”
Ao comentar sobre a gravidade do tema, Joyce Trindade, Secretária Municipal de Mulheres e Cuidados do Rio de Janeiro, afirmou que, apesar de o tema estar mais presente na mídia e no debate público, os casos de violência contra a mulher continuam crescendo e refletem um cenário preocupante. “Nessa caminhada, a gente tem visto casos cada vez mais numerosos de feminicídio. Muita gente diz que isso acontece porque o tema está mais noticiado, porque a violência contra a mulher tem tido mais espaço na mídia e as pessoas estão tendo mais informação. Pode ser por vários motivos, mas o fato é que a gente tem visto a raiva, a misoginia e o ódio contra as mulheres cada vez mais disseminados”.
Durante o debate, Patricia Ramos, influenciadora e apresentadora, compartilhou sua experiência pessoal ao falar sobre a importância da rede de apoio para romper o ciclo da violência. Ela destacou que contar com o suporte da família foi fundamental para conseguir manter sua decisão de encerrar um relacionamento abusivo, mas que até ter coragem para isso tinha muita vergonha de compartilhar o que vivia. “Quando decidi me separar, eu sabia que ele ia voltar pedindo desculpas, então resolvi contar para a minha família tudo o que eu tinha passado. Quando estamos em um relacionamento abusivo, muitas vezes queremos proteger o parceiro, para que as pessoas não saibam o que ele faz com a gente. Eu lembro que ele me manipulava para eu não contar nem para o meu terapeuta — dizia que o terapeuta ia enxergar ele com maus olhos. O errado não era o que ele fazia comigo, mas, sim, eu contar. Por isso, é tão importante falar com alguém que você confie. Eu sabia que, se contasse para a minha família e voltasse atrás, não seria só eu que ficaria envergonhada, seria a minha família inteira. E isso me deu forças para manter a minha decisão”.
Já Mariana Goldfarb, modelo, influenciadora e apresentadora, pontuou que quando o simples existir passa a incomodar o outro, isso é um sinal claro de abuso, e não de amor: “Eu comecei a perceber que estava em um relacionamento abusivo quando tudo ao meu redor virava problema: minhas roupas, meu jeito, minhas amizades, e até mesmo a minha família passou a ser uma questão muito séria. Quando a gente percebe que a nossa exuberância e o nosso simples existir incomodam, chega um ponto em que eles querem acabar com a nossa identidade. Os homens, porventura, no final nos matam fisicamente, mas também existem várias formas de morrer, e não só do jeito físico. É muito importante prestarmos atenção para que nossa alma e nossa identidade não morram, somos únicas e singulares”.
Além disso, ela completou que ter o apoio de outras mulheres faz muita diferença e dá força para enfrentar relações abusivas: “Enquanto mulher, ver sua semelhante te descredibilizando dói na alma. O que precisamos fazer, enquanto mulher, é oferecer ajuda e não julgar porque a outra ficou 10, 20, 30 anos nesse tipo de relacionamento, não é fácil sair”.
A mesa redonda faz parte das ações de conscientização do programa Abuso Não é Amor, que tem como objetivo ampliar o acesso à informação sobre violência por parceiro íntimo e educar a população para reconhecer sinais de alerta em relacionamentos abusivos. A iniciativa faz parte do compromisso global do programa, que tem como meta educar dois milhões de pessoas em todo o mundo até 2030 por meio de treinamentos, ações educativas e parcerias com organizações locais.
O treinamento do programa é gratuito e está disponível online, ensinando a identificar comportamentos abusivos como controle, isolamento, humilhação, manipulação, ciúmes excessivo, intrusão, chantagem, ignorar e intimidar, sinais que costumam surgir de forma gradual e podem anteceder situações mais graves de violência.
Os 9 Sinais de um relacionamento abusivo são:
1) Ignorar: quando o abusador usa a própria raiva como uma oportunidade para punir seus parceiros, ignorando-os propositalmente;
2) Chantagear: quando o abusador diz que vai abandonar a pessoa ou expor segredos se não fizer algo ou recusar algo;
3) Humilhar: quando o abusador insulta o parceiro, fazendo-o se sentir mal;
4) Manipular: quando o abusador usa os sentimentos do parceiro para que eles ajam de certa maneira;
5) Mostrar ciúmes excessivo: quando o abusador suspeita de tudo que o parceiro diz ou faz, além de querer atenção total;
6) Controlar: quando o parceiro controla tudo do parceiro, o que veste, o que faz, etc;
7) Intrusão: quando o abusador quer se intrometer nas coisas pessoais do parceiro, como mensagens ou redes sociais;
8) Isolar: quando o abusador isola o parceiro da família e amigos;
9) Intimidar: quando o abusador coloca medo em você e o que faz.
Treinamento Abuso Não é Amor - Link
Por,
Gisele Barros
Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ
Especialista no Mercado de Fragrâncias
Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria





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