Grupo Boticário cria método com IA que mede a idade biológica da pele
- Gisele Barros

- há 2 dias
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Estudo publicado na Communications Biology inaugura uma nova forma de avaliar ativos cosméticos em nível molecular e demonstra os efeitos do bioéster de quinoa desenvolvido pela companhia.

Durante décadas, a eficácia dos cosméticos foi medida principalmente pelo que os olhos conseguiam enxergar: redução de rugas, melhora da firmeza, uniformidade da pele ou aumento da hidratação. Agora, um estudo brasileiro propõe uma mudança de paradigma ao deslocar a análise da superfície para o universo molecular. Mais do que avaliar um ingrediente, a pesquisa apresenta uma nova metodologia capaz de medir o envelhecimento cutâneo com base em proteínas da pele analisadas por inteligência artificial, oferecendo um caminho inédito para a ciência cosmética.
É nesse contexto que o Centro de Pesquisa da Mulher, do Grupo Boticário, anuncia um dos resultados mais relevantes de seus sete anos de investigação em parceria com a Fiocruz. Publicado na revista Communications Biology, do grupo Nature, o estudo apresenta uma metodologia inédita para determinar a idade biológica da pele e demonstra que o bioéster de quinoa — ativo exclusivo desenvolvido e patenteado pela empresa — foi capaz de promover um perfil molecular compatível com uma pele de até 16 anos mais jovem, especialmente em mulheres acima dos 50 anos.
Mais do que validar um ingrediente cosmético, o trabalho inaugura uma ferramenta científica que poderá ampliar a forma como a indústria compreende o envelhecimento cutâneo e avalia a eficácia de bioativos.
A pesquisa foi conduzida em parceria com o Laboratório de Proteômica Estrutural e Computacional do Instituto Carlos Chagas, da Fiocruz, responsável pelo desenvolvimento de uma espécie de "régua molecular" do envelhecimento da pele. O método analisa milhares de proteínas presentes no tecido cutâneo por meio de espectrometria de massas e utiliza inteligência artificial para identificar assinaturas moleculares características de diferentes faixas etárias.
Com esse modelo, tornou-se possível comparar, de forma objetiva, como determinados ingredientes modificam processos biológicos relacionados ao envelhecimento.
"Estamos diante de uma evolução importante na forma como a ciência cosmética avalia a eficácia dos produtos. Tradicionalmente, os estudos observam aspectos clínicos e visuais da pele. Com essa metodologia, conseguimos analisar o que acontece em nível molecular e compreender como determinados ativos interagem com processos biológicos associados ao envelhecimento", afirma Desirée Schuck, Gerente Sênior de Performance de Produto do Grupo Boticário.
A tecnologia empregada no estudo também representa um avanço para a pesquisa biomédica aplicada à cosmética.
"A espectrometria de massas é o que nos permite enxergar milhares de proteínas da pele ao mesmo tempo, de forma objetiva. É essa capacidade de olhar para o conjunto molecular, e não para um único marcador isolado, que torna possível validar cientificamente o efeito real de um bioativo", afirma o Dr. Paulo C. Carvalho, pesquisador do Laboratório de Proteômica Estrutural e Computacional do Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná), que coordenou o estudo pela instituição.
Quando a eficácia deixa de ser apenas perceptível
O desenvolvimento da metodologia representa uma mudança relevante para um mercado cada vez mais orientado por evidências científicas. Em vez de limitar a avaliação aos efeitos visíveis da pele, o estudo propõe observar o comportamento biológico dos tecidos, permitindo identificar transformações que antecedem ou acompanham os resultados clínicos.
Essa abordagem aproxima a pesquisa cosmética das ferramentas utilizadas na medicina de precisão, integrando biologia molecular, ciência de dados e inteligência artificial para compreender mecanismos que antes permaneciam invisíveis.
A pesquisa foi publicada na Communications Biology, uma das principais revistas científicas internacionais dedicadas às ciências biológicas, reforçando o potencial da metodologia para futuras investigações sobre envelhecimento cutâneo.
O papel do bioéster de quinoa
Foi justamente essa nova metodologia que permitiu avaliar o bioéster de quinoa, ingrediente desenvolvido exclusivamente pelo Grupo Boticário.
Derivado da maceração e destilação da quinoa dourada, o ativo já era conhecido por estimular a produção natural de colágeno em até 77% e apresentar elevada ação antioxidante. A análise molecular mostrou que, em concentração específica utilizada no estudo, o ingrediente promove alterações positivas em proteínas diretamente ligadas à estrutura, proteção e regeneração da pele.
A origem da pesquisa remonta a uma viagem de Miguel Krigsner, fundador e presidente do Conselho do Grupo Boticário, ao Deserto do Atacama, no Chile, onde conheceu mais profundamente as propriedades da quinoa. A experiência despertou o interesse em investigar o potencial do grão para o cuidado da pele.
Após anos de desenvolvimento, a companhia criou um processo exclusivo de purificação da quinoa e desenvolveu uma versão potencializada do óleo, rica em vitamina E e ômegas 3, 6 e 9, com capacidade antioxidante superior à de outros óleos utilizados na indústria cosmética. Hoje, o Grupo Boticário detém a patente exclusiva do bioéster de quinoa e possui certificação da Mintel que reconhece a empresa como a única marca do mundo a utilizar esse ativo para estimular a produção de colágeno na pele.
A concentração utilizada na pesquisa, no entanto, ainda não está presente na linha Nativa SPA Quinoa. A expectativa da companhia é incorporar essa tecnologia aos produtos de suas marcas a partir de 2027.
Como a pesquisa foi conduzida
O estudo clínico foi realizado com metodologia duplo-cego, controlada por placebo, envolvendo 61 mulheres saudáveis entre 20 e 80 anos.
Durante 30 dias, as participantes aplicaram o ativo em uma rotina semelhante ao uso diário de um hidratante. As amostras superficiais da pele foram coletadas por meio de uma técnica não invasiva semelhante à microdermoabrasão e posteriormente analisadas por espectrometria de massas.
Com o banco de dados obtido, modelos de inteligência artificial construíram um mapa detalhado do envelhecimento da pele, permitindo comparar o comportamento molecular antes e depois do tratamento.
Segundo Desirée Schuck, o potencial da descoberta vai além do ingrediente estudado.
"A descoberta nos permite compreender o envelhecimento da pele a partir de dados biológicos objetivos. Trata-se de uma abordagem que combina biologia molecular, ciência de dados e inteligência artificial para gerar evidências robustas sobre os efeitos dos ingredientes e produtos", explica.
Amanda Camillo-Andrade, responsável pelo desenvolvimento do estudo em sua tese de doutorado realizada em colaboração entre Fiocruz e Grupo Boticário, destaca que a proposta amplia a compreensão da saúde cutânea.
"A saúde da pele não se resume ao que se vê na superfície. Esse modelo nos permite enxergar, em nível molecular, o que realmente acontece com a pele, muito além da percepção clínica."
Já Lucas Sales ressalta um aspecto metodológico que fortalece a confiabilidade dos resultados.
"Um cuidado importante do estudo foi comparar sempre os dois antebraços da mesma pessoa, um tratado e outro não, em vez de comparar pessoas diferentes entre si. Isso reduz bastante o risco de viés, já que cada participante funciona como seu próprio controle, tornando o resultado mais confiável."
O que essa descoberta revela sobre a cosmética
A relevância da pesquisa não está apenas na comprovação dos efeitos de um bioativo exclusivo, mas na criação de uma ferramenta capaz de transformar a forma como ativos cosméticos poderão ser investigados nos próximos anos. Ao estabelecer uma metodologia objetiva para medir a idade biológica da pele, o estudo aproxima a cosmética das abordagens mais avançadas da biologia molecular e reforça um movimento crescente na indústria: o da substituição de promessas por evidências científicas robustas.
Nesse cenário, inteligência artificial, proteômica e ciência de dados deixam de ser apenas recursos tecnológicos e passam a integrar o desenvolvimento de produtos e a validação de sua eficácia. Para a indústria, isso representa um novo padrão de pesquisa. Para o consumidor, aponta para uma geração de cosméticos cuja inovação poderá ser medida não apenas pelos resultados visíveis, mas também pelas transformações que acontecem onde o envelhecimento realmente começa: no nível molecular.
Por,
Gisele Barros
Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ
Especialista no Mercado de Fragrâncias
Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria

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