Geração Z deve triplicar consumo de skincare até 2034 e transformar mercado de beleza
- Gisele Barros

- há 3 dias
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Projeções indicam crescimento acelerado dos gastos da Geração Z com cuidados com a pele, enquanto especialistas apontam a busca por procedimentos estéticos como extensão das rotinas de skincare.

A rotina de cuidados com a pele deixou de ser apenas um hábito de autocuidado para se tornar um dos principais motores de transformação da indústria da beleza. Entre ativos multifuncionais, protocolos inspirados na beleza asiática e consumidores cada vez mais informados, a Geração Z consolida um novo comportamento de consumo que influencia o desenvolvimento de produtos, tratamentos e serviços. As projeções para a próxima década reforçam esse movimento e mostram como o skincare deve permanecer no centro das estratégias do mercado.
Das máscaras faciais à escolha criteriosa do sérum, o skincare tornou-se um dos grandes interesses da Geração Z. Apostando em protocolos cada vez mais completos e ricos em ativos, os jovens incorporaram à rotina práticas voltadas à hidratação, nutrição e fortalecimento da barreira cutânea, transformando o cuidado com a pele em um ritual diário.
Ao mesmo tempo, tendências como o K-beauty e o J-beauty ampliaram a complexidade dessas rotinas. O que antes envolvia poucos produtos passou a incluir demaquilantes, esfoliadores, tônicos, limpadores, cremes, protetores solares e essências. O resultado é um consumo crescente impulsionado pela busca da chamada "pele perfeita" e pela valorização do autocuidado.
Segundo dados da Intel Market Research, o mercado global de produtos de beleza voltados à Geração Z deve atingir US$ 208 bilhões ainda este ano. A perspectiva para os próximos anos é ainda mais expressiva: a consultoria projeta que os gastos desse público podem triplicar até 2034, ultrapassando US$ 592 bilhões.
Para o médico Dr. Octávio Guarçoni, referência em medicina estética no Brasil, essa transformação reflete mudanças culturais observadas ao longo da última década.
"Com uma parcela dos jovens da GenZ se aproximando dos 30+, o amadurecimento dos cuidados com o corpo, cabelo e a pele passa a ser visto como indispensável na rotina. A febre da ‘pele perfeita’ surgiu no imaginário das crianças dos anos 2000, a famosa Geração Z, que cresceu assistindo propagandas que prometiam peles sem acne, espinhas ou manchas. Isso nos auxilia à entender por que tantos jovens usam o skincare como motor de transformações pessoais e da própria indústria", explica o Doutor.
Esse comportamento acompanha uma tendência já observada pelo mercado. O estudo "From aisle to algorithm", da McKinsey & Company, posiciona os cuidados com a pele à frente de categorias como cuidados com os cabelos, fragrâncias e maquiagem. Na América Latina e no Brasil, esse cenário se traduz na popularização de produtos como balms, óleos, brumas e mists hidratantes, que figuram entre os itens em evidência na indústria de beleza.
Com a expectativa de crescimento anual de 5% para o mercado global de beleza até 2030, Guarçoni observa que o consumidor jovem também passou a enxergar os procedimentos estéticos como complementares à rotina de skincare.
"Os jovens chegam ao consultório com rotinas de skincare consolidadas e, cada vez mais, buscam procedimentos que complementam esses cuidados. Limpeza de pele, peelings, lasers para acne e manchas, bioestimuladores de colágeno e tecnologias para melhorar a textura da pele estão entre os mais procurados. A prioridade, para eles, é manter a pele saudável e prevenir o envelhecimento, sempre com resultados naturais. A tendência é que mais e mais estratégias de cuidados surjam ao longo do caminho, mas é preciso cuidado com as armadilhas de ter várias rotinas", afirma.
Em meio às celebrações do Dia Internacional do Autocuidado, comemorado em 24 de julho, o especialista reforça que uma rotina de cuidados eficaz vai além dos cosméticos e procedimentos. Hábitos como sono adequado, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos também desempenham papel fundamental na saúde da pele.
O médico também alerta para o risco da reprodução indiscriminada de protocolos que fazem sucesso nas redes sociais, sem considerar as necessidades individuais de cada paciente.

"Procedimentos como skinbooster, bioestimulador de colágeno, lasers e protocolos como K-beauty e o J-Beauty, para melhorar a qualidade da pele, estão entre as mais comentadas nas redes sociais. No entanto, nem sempre o que está em alta é o mais indicado para todos. A estética deve respeitar a individualidade de cada paciente, os traços e as características. Muitas vezes, a melhor conduta é indicar outro caminho para garantir resultados naturais, seguros e harmônicos", conclui Guarçoni.
Mais do que impulsionar vendas, o avanço do skincare entre a Geração Z evidencia uma mudança estrutural na forma como o autocuidado é percebido. A combinação entre informação, prevenção e busca por resultados naturais fortalece um mercado que amplia seu diálogo entre cosméticos, bem-estar e medicina estética, ao mesmo tempo em que reforça a importância da personalização dos cuidados como tendência duradoura para consumidores e para a indústria da beleza.
Por,
Gisele Barros
Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ
Especialista no Mercado de Fragrâncias
Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria

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