Bioinovação Amazônica: inscrições para desafio que busca novos ingredientes para cosméticos entram na reta final
- Gisele Barros

- 24 de jun.
- 2 min de leitura
Caso do Ajuru, transformado em bioativo para skincare pela Natura, mostra como a biodiversidade amazônica pode impulsionar inovação, pesquisa e novos negócios globais.

Um fruto pouco conhecido fora da Amazônia vem ganhando destaque na indústria da beleza brasileira. O Ajuru, espécie nativa encontrada nas restingas de Bragança (PA), foi transformado em um bioativo utilizado pela Natura na linha Chronos Derma, tornando-se um exemplo de como biodiversidade, conhecimento tradicional e pesquisa científica podem gerar ingredientes de alto valor agregado para o mercado de cosméticos.
A trajetória do ingrediente ajuda a ilustrar o objetivo do Desafio Bioinovação Amazônia, iniciativa do Idesam que está com inscrições abertas até 30 de junho para pesquisadores, especialistas em pesquisa e desenvolvimento, inovadores e empreendedores interessados em transformar ativos da biodiversidade amazônica em produtos, tecnologias e negócios de impacto global.
Originário de um ecossistema pouco explorado da Amazônia costeira, o Ajuru desempenha papel importante na preservação das restingas, contribuindo para a proteção de dunas e áreas de manguezais. A partir do conhecimento tradicional de mulheres da região sobre o manejo da espécie, pesquisadores e equipes de P&D desenvolveram aplicações que permitiram transformar o fruto em um ingrediente voltado ao mercado de skincare.
O estudo de caso foi apresentado por Rômulo Zamberlan durante o webinar “Bioinovação Amazônia: Ciência, Mercado e Oportunidades Globais para P&D”, promovido pelo Idesam para orientar potenciais participantes da chamada internacional.
“O Ajuru mostra que a Amazônia não é apenas um território de conservação, mas também um espaço de inovação. Quando conhecimento tradicional, ciência e mercado trabalham juntos, surgem oportunidades capazes de gerar renda, desenvolvimento e conservação ao mesmo tempo”, afirma Paulo Simonetti, gerente de Inovação Aberta e ESG do Idesam.
Em busca dos próximos bioativos da Amazônia
Com apoio do Bezos Earth Fund, o Desafio Bioinovação Amazônia busca identificar novas oportunidades de inovação a partir da biodiversidade amazônica, seja pela descoberta de ingredientes com potencial de aplicação comercial, seja pelo aprimoramento de processos e cadeias produtivas já existentes.
A iniciativa selecionará pesquisadores amazônicos e especialistas em P&D para formar equipes multidisciplinares dedicadas à criação de soluções para os setores de cosméticos, alimentos e novos materiais.
“A inovação ganha escala quando conectamos ciência, biodiversidade e bioeconomia em torno de desafios concretos. Ao reunir especialistas para desenvolver soluções inovadoras a partir de ativos como andiroba, copaíba, murumuru e buriti, ampliamos as possibilidades de criação de produtos de alto valor agregado”, afirma Rômulo Zamberlan, diretor de Pesquisa Avançada da Natura.
Os participantes terão acesso a mentorias especializadas, intercâmbio de conhecimento e uma imersão na Amazônia para conhecer de perto comunidades, cadeias produtivas e ativos da biodiversidade com potencial para novas aplicações e desenvolvimento de produtos. Ao final do processo, as equipes poderão receber apoio financeiro para avançar em suas propostas.
“A próxima grande inovação da indústria pode estar em uma comunidade amazônica, aguardando apenas a conexão certa entre conhecimento local, pesquisa científica e mercado. O desafio foi criado justamente para acelerar esse encontro”, conclui Simonetti.
Desafio Bioinovação Amazônia
Inscrições: até 30 de junho de 2026
Informações e inscrições: chamadas.idesam.org/chamada/bioinovacao
Por,
Gisele Barros
Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ
Especialista no Mercado de Fragrâncias
Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria

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