As tendências de beleza de Copenhagen que antecipam o próximo verão
- Gisele Barros

- há 6 dias
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Pele fresca, blush no lugar do bronzer, glow estratégico e o retorno das cores apontam para uma temporada em que naturalidade e individualidade passam a coexistir.

A beleza que emerge das passarelas da Copenhagen Fashion Week SS27 parece menos interessada em transformar o rosto do que em revelar suas possibilidades. A pele ocupa novamente o centro da produção, mas não sob uma única estética: ela pode aparecer luminosa e viçosa, com aparência quase translúcida, ou receber cobertura apenas nos pontos necessários. Sobre essa base mais natural, entram cor, brilho, contraste e referências nostálgicas.
O movimento é significativo porque desloca a discussão da maquiagem como ferramenta de correção para uma maquiagem pensada como extensão da própria pele e da personalidade. O próximo verão, pelo que Copenhagen sinaliza, não deve escolher entre o minimalismo e o maximalismo. A tendência é permitir os dois — às vezes no mesmo rosto.
Do bronzer ao blush: a pele ganha um novo calor
Um dos códigos mais evidentes da temporada é o blonzer, combinação entre blush e bronzer que leva o produto para as maçãs do rosto e regiões mais altas, criando uma aparência corada, aquecida e naturalmente bronzeada.
A mudança parece sutil, mas altera a maneira como o efeito de verão é construído. Em vez de buscar apenas a dimensão dourada tradicionalmente associada ao bronzer, a maquiagem incorpora também o aspecto de pele ruborizada, como se o calor tivesse vindo de dentro.
Entre as opções que dialogam com esse movimento está o Stick Tudo Quentinho, da VIC Beauté, bastão multifuncional disponível em 11 cores e que pode ser usado nas bochechas, olhos e lábios. Sua textura cremosa e fácil de esfumar permite modular o resultado, do efeito natural a produções mais marcantes.
O Australian Gold Kakadu Bronzer, por sua vez, trabalha o bronzeado por meio de uma mousse autobronzeadora de resultado construível. O efeito começa leve após sete horas e pode se intensificar em até 24 horas, permitindo controlar a intensidade do bronzeado.
Na mesma lógica multifuncional, o Pop Stick MBOOM Toasty Bronze reúne lábios e bochechas em uma textura cremosa e construível. A fórmula combina peptídeos, ácido hialurônico e esqualano vegetal, enquanto o próprio formato acrescenta uma dimensão de acessório ao produto, que acompanha anel de silicone e mosquetão para ser preso à bolsa, mochila ou chaveiro.
O Blush Bronzer Degradê Glam Metals, da Eudora, combina as duas funções em uma fórmula degradê, com efeito sun kissed, textura ultrafina e acabamento Soft Matte. Já o Ollie em Bastão 3 em 1, com blush, batom, sombra e FPS 95, aposta na multifuncionalidade em cinco cores, incluindo opções com brilho e versões opacas.
Na categoria de bronzers, o Face&Eyes Match, de Dolce&Gabbana Beauty, amplia a proposta para um visual monocromático entre rosto e olhos, enquanto o Clean Bronzer Rosé Glow, da CARE Beauty, combina acabamento aveludado, vitamina E, pigmentos minerais e ação antioxidante em uma proposta multifuncional e refilável.
Glass skin: o glow deixa de ser efeito e passa a ser linguagem
Se o blush aquece a pele, o glow muda sua percepção. A chamada glass skin aparece associada a um acabamento luminoso e viçoso, com pontos estratégicos de iluminação no rosto e nos olhos, sem exigir uma maquiagem pesada.
É uma estética que depende menos de excesso de produto e mais da preparação da pele — reforçando a aproximação entre skincare e maquiagem que já vem redefinindo a categoria.
O Iluminador Uau, da VIC Beauté, traduz essa ideia em uma textura líquida de secagem rápida e longa duração, capaz de entregar desde um brilho perolado e natural até um efeito mais intenso pela construção de camadas.
A mesma busca por equilíbrio aparece no Duo Stick No Filter, também da VIC Beauté. De um lado, o Blur funciona como primer matificante com efeito soft focus; do outro, o Glow é um balm transparente que devolve viço sem partículas aparentes de brilho. É uma combinação que traduz uma característica importante dessa estética: luminosidade e controle de oleosidade deixam de ser necessariamente opostos.
No skincare, o Pro Collagen 15, da Scin Medical Skincare, funciona como preparação para esse tipo de maquiagem. A textura gel-creme de rápida absorção deixa a pele com aspecto fresco e viço saudável, funcionando como uma espécie de base invisível para o glow.
O Primer Facial Glow Glam Skin Perfection, da Eudora, segue a mesma aproximação entre tratamento e maquiagem. Com efeito iluminado imediato, ação preenchedora e efeito lifting, reúne ácido hialurônico, ação prebiótica e proteção antipoluição, além de prolongar a maquiagem por até oito horas.
Já o Skindrops Glow, da CARE Beauty, aposta em uma rotina minimalista de cuidados, com proposta de estimular a renovação celular, uniformizar tom e textura e combater o estresse oxidativo. O produto possui o selo EWG Verified™, segundo a marca.
No universo da Ollie, o Glow Hidratante Facial FPS 50 combina dois tons iluminados com ativos de skincare, hidratação e proteção solar, além de peptídeos naturais associados à preservação do colágeno.
A pele “tratada” substitui a pele mascarada
Outro código apresentado em Copenhagen é a chamada Cloud Skin: uma pele de cobertura leve e estratégica, em que a correção acontece apenas onde é necessária.
A proposta representa quase o contraponto da maquiagem de alta cobertura. Em vez de esconder a textura natural, a intenção é construir uma superfície visualmente uniforme sem apagar completamente a pele.
O CC Cream Second Skin, da Eudora Glam, se encaixa nesse movimento ao combinar maquiagem e tratamento em uma cobertura leve, acabamento natural e toque seco. A fórmula reúne ácido hialurônico e Melavoid™, com hidratação por até 24 horas, controle de oleosidade por até oito horas e FPS 40.
O Corretivo Líquido True Clean C3, da CARE Beauty, segue a mesma lógica de construção pontual. Com 29% de ativos de hidratação, cobertura de média a alta e tecnologia de segunda pele, busca entregar performance sem perder conforto. A fórmula conta ainda com Bionymph Peptide e duração de até 12 horas.
O resultado é uma maquiagem que não precisa parecer maquiagem o tempo inteiro. A pele continua sendo percebida — e essa talvez seja uma das mudanças mais importantes do momento.
O “clean” ganha cor, textura e irreverência
Mas Copenhagen também mostra que a valorização da pele natural não significa o desaparecimento da maquiagem criativa.
Ao contrário: tons frios e vibrantes começam a ocupar olhos e lábios, enquanto acabamentos borrados e esfumados diminuem a necessidade de precisão. Em paralelo, brilho e glitter reaparecem em propostas mais divertidas e maximalistas.
A lógica é menos sobre seguir uma estética única e mais sobre recuperar a liberdade de experimentar.
Nos lábios, o Blurred Lip traduz essa mudança por meio de contornos difusos, sem a precisão de uma boca perfeitamente desenhada. O efeito é mais despretensioso e fácil de reproduzir.
O Dear May Pure Falling Mood Lip Pot, encontrado na Drogaria Iguatemi, trabalha justamente essa possibilidade de intensidade: sua textura cremosa permite construir desde um efeito leve e esfumado até uma cobertura mais intensa.
O Jelly Tint, da Ricca, amplia a praticidade ao funcionar como batom, blush e sombra. Com textura gelatinosa e refrescante, pode ser aplicado em camadas para controlar a intensidade e está disponível nas cores Cereja, Pêssego e Vinho.
Entre os tons mais quentes, o Batom Marrom High Clean Spicy Mocha, da CARE Beauty, aposta no marrom em acabamento soft matte, enquanto o Batom Vinho High Clean Chic Marsala leva a mesma proposta para uma nuance vinho.
E quando a cor volta aos olhos?
A temporada também aponta para o retorno dos tons frios, especialmente lavandas, lilases, roxos e azuis. É uma ruptura com a predominância dos nudes e rosados e uma aproximação com referências dos anos 1990 e 2000.
O Lápis Sombra Multifuncional Carbon Blue, da CARE Beauty + Vanessa Rozan, traduz esse movimento em azul. A textura cremosa, com toque seco, pode ser usada para delinear, preencher, esfumar ou definir os olhos. A fórmula vegana reúne óleo de jojoba, ceras naturais, ativos antioxidantes e pigmentos minerais.
Mais do que uma cartela de cores, o azul sinaliza uma disposição para devolver à maquiagem um componente que havia sido parcialmente domesticado pelas estéticas minimalistas: a diversão.
O que Copenhagen revela sobre a beleza do próximo verão?
O mais interessante nas tendências apresentadas pela Copenhagen Fashion Week SS27 é justamente a ausência de uma única direção.
A pele pode ser luminosa ou ter cobertura pontual. O blush pode substituir o bronzer. O glow pode ser sofisticado ou quase imperceptível. O lábio pode ser esfumado. Os olhos podem receber azul, lavanda ou glitter. E um mesmo produto pode transitar entre diferentes regiões do rosto.
A beleza parece caminhar, portanto, para uma espécie de individualidade modular: produtos multifuncionais, texturas construíveis e acabamentos que permitem adaptar a tendência ao próprio repertório.
É também nesse ponto que os produtos deixam de ser apenas uma lista de compras e passam a funcionar como evidências de um movimento maior. A indústria está desenvolvendo formatos capazes de acompanhar uma consumidora que quer praticidade, mas não necessariamente abrir mão da expressão pessoal; quer uma pele com aparência cuidada, mas não quer necessariamente escondê-la; quer conhecer as tendências, mas deseja escolher como incorporá-las.
Copenhagen antecipa, assim, um verão menos preso a regras. A pele continua no centro, mas agora como superfície de expressão, e não como algo a ser uniformizado. Entre o blonzer, o glass skin, a cobertura estratégica, os lábios difusos e a volta das cores, a principal tendência talvez seja justamente essa: ter mais liberdade para decidir como a beleza deve aparecer.
Por,
Gisele Barros
Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ
Especialista no Mercado de Fragrâncias
Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria

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