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A CONSTRUÇÃO DO FUTURO DA BELEZA: CIÊNCIA, PROPÓSITO E COLABORAÇÃO

Ariadne Morais, Diretora de Assuntos Regulatórios & Inovação da ABIHPEC, fala sobre os pilares que estão moldando uma nova era de beleza — mais consciente, científica e conectada.


Crédito das fotos: Edna Marcelino
Crédito das fotos: Edna Marcelino

Por: Gisele Barros, Editora-Chefe do Portal ALL SENSEZ


No cenário em que beleza, ciência e sustentabilidade se entrelaçam, a inovação surge não apenas como tendência, mas como compromisso coletivo. À frente das agendas de regulação e inovação da ABIHPEC, Ariadne Morais é uma das vozes mais influentes na construção desse novo ecossistema — um movimento que une indústria, academia e governo para transformar o Brasil em um protagonista global em beleza, biotecnologia e sustentabilidade.


Nesta entrevista exclusiva ao ALL SENSEZ, Ariadne reflete sobre os pilares que estão moldando o futuro do setor, o equilíbrio entre avanço tecnológico e regulação, a importância do consumo consciente e o papel da mídia especializada na disseminação de conhecimento e cultura de inovação.


Entrevista | Ariadne Morais: A Construção do Futuro da Beleza


Ariadne Morais - Diretora de Assuntos Regulatórios & Inovação da ABIHPEC (Crédito das fotos: Edna Marcelino)
Ariadne Morais - Diretora de Assuntos Regulatórios & Inovação da ABIHPEC (Crédito das fotos: Edna Marcelino)

1. O evento da ABIHPEC fala sobre o “futuro em construção”. Na sua visão, quais são hoje os pilares que estão efetivamente construindo o futuro da beleza no Brasil?


O futuro do setor de Beleza e Cuidados Pessoais no Brasil vem sendo construído sobre pilares sólidos: ciência, tecnologia, sustentabilidade e diálogo, incluindo diversas partes integrantes. A ABIHPEC tem buscado fortalecer um ecossistema em que a inovação surge da colaboração entre empresas, academia e governo.


Temas como biotecnologia, inteligência artificial, ciência de dados, fórmulas inteligentes e pesquisa colaborativa estão transformando a forma como desenvolvemos produtos, desde a descoberta de ingredientes até o design de experiências personalizadas para o consumidor. Esses pilares permitem que a inovação surja de forma mais ágil e segura, orientada por evidências.


Além disso, o conceito de Cuidado Integral, que inspirou nossa recente campanha de reposicionamento setorial, representa muito bem essa nova visão de futuro que une saúde, bem-estar, responsabilidade ambiental e segurança como dimensões complementares do cuidado com as pessoas — nas dimensões física, mental e social — e com o planeta. Esse olhar ampliado orienta tanto as políticas públicas quanto às estratégias das empresas do setor.


2. Inovação e regulação caminham juntas. Quais são os principais desafios que o setor enfrenta para equilibrar o avanço tecnológico com as exigências regulatórias?


O grande desafio é garantir que a regulação acompanhe o ritmo da inovação. Tecnologias como IA aplicada à formulação, biotecnologia avançada e cosméticos personalizados exigem novas metodologias de avaliação, mais dinâmicas e baseadas em risco.


A ABIHPEC tem atuado para aproximar os mundos da inovação e da regulação. Um exemplo emblemático é o sandbox regulatório para cosméticos personalizados, o primeiro da área da saúde no Brasil e na Anvisa. A iniciativa representa um avanço real na construção de um ambiente regulatório mais flexível, que incentiva o desenvolvimento tecnológico sem abrir mão da segurança.


3. A ABIHPEC tem um papel central na conexão entre indústria, ciência e governo. Como essa integração tem contribuído para acelerar a inovação no setor de Beleza e Cuidados Pessoais?


A ABIHPEC tem uma trajetória sólida de articulação com o setor público, construída ao longo dos últimos 30 anos. No campo regulatório, nossa atuação junto à Anvisa sempre foi pautada pelo diálogo técnico e pela busca de maior previsibilidade e eficiência, com resultados concretos em temas como simplificação de registro, harmonização internacional e incorporação de métodos alternativos ao uso de animais.


Essa agenda também acontece, paralelamente, com o Ministério do Meio Ambiente, especialmente nas discussões sobre logística reversa e políticas de economia circular. Esse histórico de cooperação e confiança institucional agora se amplia para a agenda de inovação, com a criação de um novo ecossistema que integra indústria, acadêmicos, governo e startups — conectando empresas, universidades e órgãos reguladores em espaços de troca técnica que aceleram a adoção de novas tecnologias e a tradução do conhecimento científico em produtos e processos inovadores.


4. O Brasil é reconhecido como um dos maiores mercados de beleza do mundo. O que ainda falta para que também nos tornemos referência em inovação e desenvolvimento de novas tecnologias?


É importante reconhecermos que a indústria brasileira de Beleza e Cuidados Pessoais já é uma referência em inovação, tanto no universo do cuidado com a pele e perfumaria quanto no setor de cabelos, onde o Brasil se destaca em lançamentos específicos à diversidade capilar e no segmento profissional.


Apenas no ano passado, foram lançados 7.408 produtos no setor, de acordo com a Mintel GNPD 2024, consolidando o Brasil como o 4º mercado global em número de lançamentos anuais.


Temos empresas nacionais que lideram globalmente em pesquisa de ingredientes naturais, formulações para cabelos complexos e práticas de sustentabilidade — o que demonstra a maturidade técnica e a capacidade criativa do setor. O próximo passo é consolidar esse protagonismo em escala global, fortalecendo o ambiente de inovação aberta, a transferência tecnológica e a experimentação regulada, por meio de sandbox regulatórios, parcerias de biotecnologia e incentivos fiscais à inovação.


5. Quando falamos em inovação, falamos também em sustentabilidade e consumo consciente. De que forma esses temas estão sendo incorporados às discussões do setor e às políticas da ABIHPEC?


Sustentabilidade e inovação caminham lado a lado, e o setor de Beleza e Cuidados Pessoais tem mostrado que é possível crescer com responsabilidade ambiental e social.


A indústria brasileira tem no uso sustentável da biodiversidade uma de suas maiores forças, inspirando inovações que unem ciência, tradição e valorização das comunidades locais.


Além disso, a ABIHPEC coordena há quase 20 anos o programa Mãos Pro Futuro, o maior projeto estruturante e sem fins lucrativos de logística reversa de embalagens em geral do país.


O programa já garantiu a destinação ambientalmente adequada de 1,3 milhão de toneladas de materiais recicláveis, fortalecendo cooperativas e promovendo inclusão socioeconômica.


6. Os consumidores estão mais atentos à transparência, segurança e propósito. Como essa mudança de comportamento influencia as estratégias de inovação das empresas associadas à ABIHPEC?


O consumidor atual quer saber a origem dos ingredientes, a segurança dos produtos e o impacto de suas escolhas. Isso transforma as estratégias de inovação, que passam a incluir rastreabilidade, rotulagem transparente, evidências científicas e narrativas de propósito.


As empresas estão inovando não apenas para atender necessidades estéticas, mas também para gerar confiança e contribuir para uma sociedade mais saudável e sustentável.


7. Olhando para o futuro: quais tendências científicas ou tecnológicas você acredita que terão maior impacto na indústria de beleza nos próximos anos?


O futuro da beleza será moldado pela convergência entre ciência, tecnologia e propósito, impulsionando uma nova forma de inovar — mais conectada ao bem-estar das pessoas e à sustentabilidade do planeta.


A biotecnologia e o uso responsável da biodiversidade brasileira assumem protagonismo nesse cenário, permitindo que o país valorize seus recursos naturais por meio de soluções sustentáveis e de alto valor agregado.


A avaliação de segurança baseada em métodos alternativos, o desenvolvimento de cosméticos personalizados e a adoção de práticas de rastreabilidade e transparência na cadeia produtiva são outras tendências que devem redefinir o setor nos próximos anos.


8. O evento de inovação da ABIHPEC reúne nomes de peso do setor. O que o público pode esperar desse painel e de que forma ele contribui para fortalecer a cultura de inovação no ecossistema da beleza?


O encontro simboliza um movimento que une ciência, regulação e tecnologia para inspirar o novo ecossistema de inovação. A proposta da ABIHPEC foi justamente criar um formato de mesa inovador, que traga diferentes perspectivas para um diálogo integrado sobre o futuro do setor.


Cada convidado representa uma peça essencial dessa construção. Cristiana Arcangeli, empreendedora e referência em inovação e futurismo, traz o olhar visionário sobre comportamento e novas fronteiras da beleza. Gustavo Dieamant, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento do Grupo Boticário, compartilha a visão da indústria sobre inovação sustentável. Já Bruno Rios, da Anvisa, traz a perspectiva regulatória, mostrando como a construção de uma agenda colaborativa entre governo e setor produtivo tem permitido acelerar a inovação sem abrir mão da segurança e da qualidade.


O público pode esperar uma conversa instigante, rica em reflexões e exemplos práticos. Mais do que um debate, este encontro é um convite à coautoria do setor.


9. Como você enxerga o papel da mídia especializada, como o ALL SENSEZ, na amplificação dessas discussões sobre inovação, ciência e transformação no setor?


A mídia especializada tem um papel essencial em traduzir temas complexos de ciência e regulação para diferentes públicos. Iniciativas como essa ajudam a ampliar o alcance da mensagem, promovendo uma compreensão mais ampla sobre o que significa inovar com responsabilidade, contribuindo para inspirar o setor e fortalecer uma cultura de inovação.


A fala de Ariadne Morais reflete um momento crucial da beleza brasileira: o da maturidade. Entre ciência, sustentabilidade e propósito, o país consolida um ecossistema de inovação que une o que há de mais avançado em tecnologia com o que há de mais essencialmente humano — o cuidado.


Mais do que um futuro em construção, o que se desenha é uma beleza em evolução, guiada por colaboração, responsabilidade e sensibilidade.


O amanhã da beleza brasileira, como ela aponta, será resultado de uma inteligência coletiva que une mentes, sentidos e propósitos.





Por,

Gisele Barros

Editora Chefe do Portal ALL SENSEZ

Especialista no Mercado de Fragrâncias

Consultora de Comunicação Especializada em Perfumaria







 




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